A mais bela e famosa história de amor da literatura mundial, o clássico Romeu e Julieta, reestrrou no dia 6 de junho, no palco do Teatro Regina Vogue, como um presente para jovens adolescentes. A montagem mescla música atual, bandas, jeans e linguagem coloquial com o enredo clássico de Shakespeare, marcando a parceria inédita dos diretores Nena Inoue e Maurício Vogue.
O espetáculo surgiu da vontade de montar algo específico para esse público, que está entre a infância e a juventude e que passa suas horas de lazer longe do teatro, sem programação direcionada para essa faixa etária. “Romeu e Julieta são duas personagens jovens, heróis trágicos e românticos, um amor adolescente, que arrebata. É a trama ideal para esse público”, avalia Nena Inoue.
Para transpor o clássico para esse público, a dupla de diretores abusou das referências do universo jovem. As cenas têm um ritmo acelerado proposital, contando com intervenções ao vivo de bandas de garagem locais – como a Punkake e Charme Chulo – e mescla diálogos clássicos com a linguagem de rua – adaptação realizada pelo grupo, a partir de leituras do texto original. Outra contribuição autoral do elenco é a alternância de papéis, o que confere à montagem um caráter mais dinâmico e desafiador para os atores que se revezam fazendo às vezes a mesma personagem. Todos esses elementos atribuem à montagem maior originalidade, que também atrai outros públicos.
As soluções de dramaturgia, aliadas à opção clara por elementos contemporâneos, conferem à montagem um caráter atemporal, mostrando toda a atualidade do texto de Shakespeare. Essa contemporaneidade fica também evidente com o levantamento das temáticas que compõe a montagem, como amor e morte, guerra e paz, violência e poder. “A montagem traz à tona temas que estamos acostumados hoje em dia”, avalia Maurício Vogue. “Trata-se de uma história de amor, mas é também uma história de intolerâncias, como tantas que temos no mundo... e a intolerância está aí, sempre esteve, acompanhando a história dos homens”, conclui Nena.
O cenário vai conter elementos frios, que terão novas formas por meio das mãos de Manu Daher. Duas escadas serão combinadas, possibilitando variações do uso do espaço Várias peças de jeans são reconstruídas e reutilizadas nos figurinos, com funcionalidades diversas. Para Maurício Vogue, a idéia do espetáculo é a simplicidade: “Não temos a pretensão de fazer desta a melhor de todas as montagens de Romeu e Julieta. Queremos é dar possibilidades ao nosso público, mostrando que o texto de Shakespeare continua atual. E, no nosso caos atual, o amor continua sendo o grande elemento transgressor da nossa história”. Propositalmente, todo o tom católico, moralista e conservador foi retirado da montagem, de forma a não tomar partido e conseguir estabelecer o diálogo com esse público jovem.
“A idéia é também juntar, mesclar, dialogar com novos artistas e públicos. Tanto o Mauricio quanto eu trabalhamos com processos de criação de caráter mais coletivo e autoral em nossos espetáculos, e nesta montagem não foi diferente... propusemos uma criação colaborativa para o elenco e trabalhamos juntos a adaptação do texto e a criação de algumas propostas de cena que serão levadas ao palco. A direção compartilhada também é uma experiência de troca bacana”, finaliza Nena.
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